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Rainhas Trans e a aceitação LGBTI no carnaval de São Paulo

Por Matheus Mattos

Camila Prins Camisa Verde e Branco
Camila Prins
No dia 8 de setembro de 2017 a escola de samba Camisa Verde e Branco surpreendeu o mundo do carnaval paulistano com a coroação de uma Rainha Trans: Camila Prins. O tema gerou polêmica dentro do samba, mas afinal, por que ainda é difícil enxergarmos transexuais à frente das baterias?

Para relembrarmos a primeira vez que isso aconteceu devemos voltar 40 anos para conhecer Eloina dos Leopardos, a trans que desfilou na Beija-Flor entre 1976 e 1978. Hoje, além de ser a primeira na cidade de São Paulo, Camila carrega um alto nível de representatividade para a classe LGBTI.

“É um misto de sensações e sentimentos, há alguns anos isso era apenas um sonho, hoje é uma realidade. As trans estão ocupando espaços na mídia e conquistando muita representatividade, é muito bom fazer parte disso. Essa coroa de rainha não é só minha, e sim de todas as meninas trans que sonham e que batalham pra fazer acontecer. Dedico tudo isso também a minha mãezinha que não está mais entre nós, mas sempre foi minha fã número um”, disse Camila.

O sambódromo do Anhembi contará com mais uma novidade em 2019, Kakah Morena também desfila como Rainha Trans da bateria da Imperador do Ipiranga.

Kakah Morena Imperador do Ipiranga
Kakah Morena
“Eu sempre desejei ser uma Rainha Trans em São Paulo, não importa o grupo, o que importa é trazer essa bandeira e ir quebrando paradigmas. Nunca imaginei que seria a Imperador, quando recebi o convite eu quase tive um troço (risos). “Ser a segunda Rainha Trans do carnaval de São Paulo é pra história, fico muito muito lisonjeada”, afirmou Kakah.

Mesmo conquistando seus objetivos e realizando funções importantes nas agremiações, como figurinistas, costureiros, aderecistas, coreógrafos, apoio, etc. Camila Prins acredita que a classe LGBTI ainda sofre com estereótipos e preconceitos, e defende uma abertura maior nas entidades.

“O carnaval é feito de diversidade, nos barracões, atelier e em todos os setores encontramos pessoas LGBTI, e por que não na frente da bateria?! É necessário que as diretorias das agremiações comecem a olhar com outros olhos e tirar o que cada um tem de melhor nas suas comunidades, mostrar ao mundo que somos todos iguais, sem rótulos, sem preconceitos, a favor de um bem comum: o nosso carnaval”.

“Infelizmente o preconceito é muito forte no mundo do samba, e posso te dizer mais, muitas escolas não abrem espaços para as mulheres trans, nem mesmo pra passista. O carnaval pro mundo LGBTI é uma forma de expressar os seus sentimentos, se sentir a vontade de usar uma peça de roupa, uma fantasia, traz um sentimento de liberdade. O que precisa melhorar é a aceitação, algumas escolas deveriam ter um espaço maior pra receber essa diversidade”.

Eloina dos Leopardos Beija Flor
Eloina dos Leopardos

Atividades de inserção da classe LGBTI no carnaval paulista

O carnaval é uma cultura nacional que segue características inclusivas, ou seja, todos participam indiferente da cor de pele, opção de sexo, nacionalidade ou gênero sexual. Por esse motivo notam-se homossexuais como ritmistas, mulheres em cargos de liderança, estrangeiras nas alas de passistas e até japonês cortejando pavilhão (exemplo do Tsubasa Miyoshi, terceiro mestre-sala da Império de Casa Verde). Porém é inegável afirmar que essas minorias sofrem resistência de aceitação. No município de Santo André, localizada na região do Grande ABC, existe a ONG ABCD’S que procura trazer mais visibilidade a população LGBTI, e em 2019 a organização estréia o bloco ABCD´S QUEENS.


O presidente da ONG ABCD´S, Marcelo Gil, diz que a criação do bloco procura enaltecer a classe para as agremiações e inserir cada vez mais esse público no samba.

“Nós estamos com esse projeto em mente desde 2006, e desde aquela época procuramos colocar essas mulheres no carnaval. Temos um leque de diversas transexuais lindas, que precisam ser vistas. As escolas de samba só olham para elas faltando dias para o desfile, nós procuramos apresentá-las antes disso”.

No carnaval da cidade de São Paulo, Kakah afirma que muitos grupos que buscam representatividade perdem forças e acabam se estruturando como alas.

“Grupos específicos que cuidam de inclusão, que procuram um movimento maior, existem, mas são pouquíssimos. O que acontece é que eles acabam se transformando em alas, existe a ala do arco-íris, a ala da diversidade, a ala da alegria, então essas alas acabam sendo pequenos grupos dentro das escolas”.

Fonte: Carnavalesco / Por Redação Carnavalesco
Fotos: Felipe Araújo 






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