Bubot Niyar

Bonecas de Papel

Bubot Niyar
"Bonecas de Papel", do diretor Tomer Heymann, é um ótimo documentário de 80 minutos sobre transexuais filipinos que buscaram emprego em Israel. Originalmente era um programa de três horas dividido em seis partes que foi exibido na TV israelense.

A idéia do documentário de Heymann, que também escreveu o roteiro, começou em 2000, quando Israel proibiu a entrada de trabalhadores palestinos em seu país. Isso resultou na entrada de 200 mil estrangeiros para preencher sub-empregos. Entre eles cinco filipinos que Heymann conheceu em uma casa noturna. Sally, Cheska, Chiqui, Giorgio e Jan são cinco drag queens que fazem um show chamado de "Paper dolls". O nome do grupo, segundo Sally, é uma referencia àquelas bonecas de papel que você corta com a tesoura e molda. A apresentação consiste em dançar e dublar músicas famosas.

Durante o dia, elas trabalham como acompanhantes de geriátricos, ajudando na higiene pessoal e levando-os para passear. Uma maneira de terem o visto de trabalho para permanecerem no país. O interessante é que os velhinhos são judeus ortodoxos dos subúrbios de Tel Aviv, enquanto elas são católicas fervorosas. Quando registra o cotidiano das "bonecas" com os velhinhos, Tomer Heymann mostra que a relação delas com os geriátricos é quase de mãe e filho, mesmo elas sendo bem mais novas que eles. Isso demonstra o quanto de humanidade existe por trás do trabalho delas.

Aos poucos descobrimos que esses transexuais saíram de seu país pela perseguição sofrida pela sua opção sexual. Ao chegar ao Israel são obrigados a enfrentar outros preconceitos como a língua, raça, religião, classe social e nacionalidade. Em uma das cenas mais impactantes, um taxista comenta com Heymann que Filipinas é o inferno na Terra, pelo número de transexuais que existe por lá.


Heymann consegue um encontro com um famoso dono de boate voltada para o público gay. Talvez essa seja a chance delas conseguirem alcançar a fama e dinheiro. Mas percebemos que as intenções do proprietário não são as mais nobres. Ele desmonta o show delas ao escolher só quatro para participar, e ainda pede para que elas se vistam de chinesas, numa atitude racista. Na boate, as transexuais ainda precisam enfrentar as ofensas dos dançarinos estilo barbie e de outras transexuais israelenses.

Desmotivadas, resolvem voltar para os shows nos subúrbios. Mas seus problemas estão longe de acabar. O governo israelense resolve deportar os trabalhadores estrangeiros. Chegam a sugerir que eles fiquem concentrados em campos, que parecem os antigos campos nazistas.

O grande diferencial do documentário de Heymann é abordagem humana que ele dá ao tema. Por nenhum instante o assunto descamba para o melodrama. Muitas vezes, Heymann se coloca na narrativa. Ele faz as perguntas abusivas que normalmente gostaríamos de fazer. Questiona o tipo de vida que elas levam, mas sem julgar. Ele consegue se assumir como gay, mas não a ponto de se vestir de mulher. Chega a se travestir e realizar o fetiche, mas reconhece a coragem da atitude dos filipinos.

Bubot Niyar
Tecnicamente, a linguagem do documentário nos dá uma impressão de estarmos assistindo a uma ficção. A câmera de Heymann é encantadora e realista ao mesmo tempo. Os estilosos créditos de abertura de Asaf Billet completam essa idéia. A música tema é "Whatever will be, will be (Qué será,será)" cantada por Caetano Veloso, belo exemplo de transformação poética de um sonho em realidade.


Bonecas de Papel (Bubot niyar)
Israel/Suíça, 2005. 80 min
Direção: Tomer Heymann


Fonte: Spoiler5

Um comentário:

Eduardo disse...

Gostei desse tema sobre TABU SEXIAL.
Nós vivemos no mundo sempre em mutação e transformação.E tambem o porque disso hoje alguns homens não está se sentindo seguro e feliz com o sexo oposto que é a mulher.E algumas mulheres não estão se sentindo segura e feliz com o sexo oposto que são nós homens e acaba acontecendo?Ambos acabam tendo o relacionamento do mesmo sexo e alguns opinão para serem transexiuais para que virem semelhante ao sexo oposto.E dali mais alguns anos por mim teremos mais Homossexiais do que Héterossexiais.Claro estou colocando tudo isso com respeito individual.